FELIZ DIA DOS PROFESSORES. PODEMOS SAIR DO ROTEIRO?
Por Hélio Laranjeira
10/15/20262 min read


Hoje o Brasil acordou pedagógico.
Tem flores, mensagens emocionantes e homenagens a quem “transforma o mundo”. Amanhã, esperamos que também tenha tempo para planejar a aula, respeito profissional e condições para ensinar.
Em certas homenagens, basta citar Paulo Freire e pronto: missão cumprida. A educação está resolvida. Só falta combinar com o aluno que ainda não aprendeu.
Em outras, foge-se de qualquer reflexão e capricha-se no buquê: professor é luz, é ponte, é herói, é tudo.
Inclusive responsável por resolver, sozinho, aquilo que a família, a gestão e o poder público deixaram pelo caminho.
Convenhamos: chamar de herói também pode ser uma maneira muito elegante de continuar exigindo sacrifício.
Mas quem vai falar da missão do professor: ensinar as pessoas a aprender?
Despertar a curiosidade. Dar sentido ao conhecimento. Explicar de outro jeito quando o primeiro não funcionou. Ensinar a perguntar, investigar, discernir e construir um pensamento que consiga caminhar com as próprias pernas.
Porque uma aula não termina quando o professor acaba de falar. Há algo essencial a descobrir: o que o aluno conseguiu compreender?
E, neste Dia dos Professores, quero lembrar um Mestre que atravessou séculos e continua nos colocando diante de perguntas difíceis.
Jesus, o professor dos professores.
Ensinou o amor e o perdão. Ensinou com histórias, perguntas, gestos e exemplo. Aproximou-se de quem era desprezado. Confrontou quem se julgava dono da verdade. E fez da própria vida a expressão do que ensinava.
Que desafio para todos nós: fazer a prática sustentar o discurso.
Talvez esteja aí uma boa provocação para hoje. Podemos admirar pensadores, estudar suas obras e discutir suas ideias. Mas nenhum nome célebre dispensa o trabalho de olhar para o estudante que está à nossa frente.
Esse estudante tem um rosto. Uma dificuldade. Uma capacidade ainda por descobrir.
E precisa de alguém que acredite nele o suficiente para acolher, ensinar, exigir e tentar outra vez.
Professor, minha homenagem é para esse trabalho que quase nunca cabe nos cartões.
Para a paciência de recomeçar uma explicação. Para a coragem de reconhecer que é preciso mudar o caminho. Para a alegria de perceber que alguém finalmente entendeu — e já consegue seguir adiante.
Você merece reconhecimento, condições de trabalho e respeito durante o ano inteiro.
E merece viver aquele instante que dá sentido à sua missão: quando o aluno descobre que também é capaz.
Feliz Dia dos Professores!
Professor Hélio Laranjeira

